O Festival de Cinema de Marvão prossegue fundamentando a sua proposta na descentralização cultural e na importância de melhorar a acessibilidade aos bens e serviços culturais que se concentram nas grandes cidades e que dificilmente chegam às populações rurais.

No que diz respeito ao Cinema, existe cada vez mais na nossa região uma população excluída dos circuitos formais de produção, exibição e distribuição cinematográfica, “o que se torna chocante numa civilização contemporânea marcada dominantemente pela linguagem audiovisual no que respeita a informação e comunicação”.

Assim sendo, a nossa proposta como Festival, parte do princípio do Direito à Cultura, entendendo que a cada cidadão se deve garantir o acesso a uma oferta cultural de qualidade, assim como garantir o direito a espaços nos quais os agentes locais possam intervir, criar e desenvolver propostas para partilhar a própria cultura e identidade ou para usufruir do que não se produz.

Quando nos referimos a descentralização cultural, referimo-nos à responsabilidade civil e política que temos em mãos para evitar a marginalização de importantes grupos da população no usufruto dos bens e serviços culturais que na sua ausência não só representam um obstáculo para o desenvolvimento individual como também se repercutem negativamente no desenvolvimento da cidadania e de uma região.

Por tudo isto, tomamos como objectivo fundamental o fortalecimento do nosso projecto com a finalidade de criar e fomentar uma cultura de cinema dentro e fora da região, que a médio prazo promova a criação de um público mais consciente e dotado de um pensamento mais plural, que promova o contacto com a arte não só como um espaço de ócio, mas como uma plataforma de pensamento crítico que reflicta e interactue com o mundo actual.